2 notes → "Então… Tudo acaba. A percepção me veio tão forte como uma bala: num baque, me rasgando a carne, atravessando meus ossos, indo parar lá no fundo. Me fazendo sangrar. A morte das coisas me assustou de tal maneira que minha vontade de chorar não me coube. Tive que derramar lágrimas. Minha tristeza foi tanta, que quis gritar.
As flores no meu jardim vão morrer, não importa se eu as faço crescer com carinho, se cuido com amor. As flores no meu jardim, um dia vão murchar, vão cair por terra. Soube disso e um desespero me invadiu no meio daquela madrugada, um desespero pequenininho, daqueles de fazer a gente prender a respiração e não saber o que fazer, me invadiu. Eu não soube se eu fechava os olhos e tentava afastar aqueles pensamentos pra lá. Mas sinceramente? Não sei se queria. As terríveis verdades da vida a gente aprende e guarda pra si, lá no fundo, como um segredo terrível e precioso.
Chovia lá fora. A chuva era forte e fazia um barulho gostoso de ouvir, bom pra dormir. Mas cada som do vento batendo das árvores ou das gotas se esborrachando no chão, a cada vez que o ar tocava meu rosto e o frio me invadia a espinha… eu queria mais ficar acordada. Estava assustada demais pra dormir, queria um abraço ou um afago no rosto. Minha tristeza, naquele pequeno momento, me pareceu eterna.
Chorei a noite toda e pela manhã, quando acordei, pensei por um momento comprar flores artificiais que nunca morreriam. Logo desisti da idéia, um sorriso veio morar no meu rosto.
Flores artificiais nunca teriam perfume." -Michele Alves, Noite passada até eu virei poesia 

(Source: revolucionar-se)

1 note → "Existe aí uma legião de você. Você é tantos outros que nem se conhece e acorda todos os dias sem saber quem é desta vez. Não me venha com conversa fiada sobre essências, não me venha com o discurso pronto do que permanece, da alma. A nossa essência está em transbordar tudo o que acontece em nosso redor. Não passamos de esponjas, absorvendo tudo: os olhares, os sorrisos, as gargalhadas, os choros, a música, a paisagem. E você guarda dentro de ti, até tudo se fundir a você. Entenda que o que permanece da gente são só experiências passadas, porque é isso que somos. A lembrança viva do ontem, o resultado do hoje, a promessa do amanhã… É tudo que eu e você podemos ser.
Por favor, sem sentimentalismos baratos, sem filosofias desnecessárias. Eu não precisei consultar um livro milenar pra isso. Eu sei, eu vivi, eu senti. Eu sei da confusão de mim, dos pensamentos confusos que sobrevoam minha mente ao longo do dia. Eu sei que já não sou a mesma do ontem, meu sorriso carrega outras dores, outras alegrias. Eu não sou a mesma do ontem, e todo dia vejo novos estranhos por aí. É assim que é, você fecha os olhos e se nada te tocar ao longo do dia a ponto de mudar algo aí, então considere um dia perdido.
O dia ganho é apenas uma marca na sua alma: que é uma metamorfose ambulante (Raul que me empreste sua expressão). Não se prenda a você mesmo, não se agarre com unhas e dentes. Vá ser livre de ti mesmo, vá ser livre de tudo, se deixe marcar. Te falo isso da forma mais gentil possível. Se deixe marcar, se deixe doer e só assim saberá que está vivo." -Michele Alves, A diferença entre viver e existir não está no dicionário

(Source: revolucionar-se)

4 notes → "Hoje mantenha a doçura por perto: em baixo da língua, guardada no bolso. Não a deixe jogada pelos cantos da casa, em um lugar qualquer, leve junto pra todo lugar. Faça uso dela com qualquer pessoa. Só hoje, mantenha a doçura por perto pra agüentar essa amargura toda da vida." -Michele Alves

(Source: revolucionar-se)

6 notes → "Existe um céu dentro de mim,
Estrelas, luas… Um infinito.
Um caos para lá de bonito,
Que parece nunca ter fim." -Michele Alves

(Source: revolucionar-se)

5 notes →
Poema tão simples quanto a tristeza de um homem comum

Minha vontade de desaparecer
Em meio aos lençois é maior
que todo resto.

Ando meio preocupado que
Não quero mais nada com nada.
Ando tão desmotivado!

Nada me interessa, nada me anima
Nada me emociona, nada me motiva
Eu queria apenas dormir…

O psicologo disse que é depressão
O religioso disse que era encosto
Eu não sei o que é isso, não
Eu só quero que saia de mim.  

Michele Alves

(Source: revolucionar-se)

27 notes → "Gostaria de dizer uma ou duas palavras sobre o tempo. Eu que vivi uma vida em um piscar de olhos e agora passo dia após dia nesta cadeira apenas observando o céu transformar-se e metamorfosear-se em cores e tonalidades ao longo dos dias.
Se fecho os olhos, posso lembrar dos verões e das gargalhadas e os amigos que foram perdidos ao longo dos anos. Dos amores que duraram meses e até anos. Das paixões passageiras e daquelas que não tinham a mínima intenção de acontecer. Ah, os amores platônicos. As brincadeiras, os erros. O tempo parece não passar quando se tem tempo de corrigir os erros, o tempo parece se estagnar, como se a engrenagem de um grande relógio simplesmente fosse quebrada. Os sorrisos, as danças, os beijos… Congelam o tempo.
Se fecho os olhos, mal posso sentir o passar dos dias, dos anos. A vida vai envelhecendo junto das fotografias guardadas em velhos baús. Não se sente as areias se movendo até que se olhe no espelho e veja as marcas estampadas na pele e a vida se torna apenas uma lembrança. Mas o tempo não é o vilão, o tempo é apenas um deus lembrando através de toda sua vida que se deve valorizar os detalhes porque eles passam por você, mesmo que tente agarrá-los, mesmo que queira segurá-los em suas mãos, não poderá. O tempo existe pra lembrar-nos que as coisas acabam. E a poesia e beleza disso vão além do que eu, que não tive tempo para parar pra pensar, poderia entender ou imaginar. O tempo é uma triste poesia, sendo recitada eternamente e os versos acabam, os versos possuem suas rimas e seus pontos finais.
Os versos acabam, a poesia não.
Com o passar dos anos, percebi que o tempo passou quando se relembra mais do que se vive. Quando as recordações não são renovadas e sim acumuladas e são tudo em que você se agarra para poder sorrir mesmo que um sorriso minúsculo ao longo do dia. O tempo passa, e esta frase nunca me pareceu tão dolorosa quanto nesta tarde de domingo." -Michele Alves, Um ensaio sobre o passar de primaveras (e o morrer das flores)

(Source: revolucionar-se)

0 notes →
Anonymous: Estava há muito tempo achando que nunca iria encontrar alguém que realmente escrevesse poesia, mas... não qualquer uma delas, já li outras poetisas, mas que ainda não eram da minha poesia: a que eu queria escrever e/ou ler, sem tirar, nem por. Você é rara, e eu demorei alguns meses pra descobrir, embora a tivesse perto, mas o que é raro o é não só por ser único, o é justamente por, estar aos nossos olhos, e demorarmos a ver, até que "pronto": é sorriso de não-sei-ainda-o-quê-achei, mas é linda!

Ok, anônimo. Wow, eu não sei o que dizer, exceto, bem… Exceto que obrigada. Eu só rabisco, escrevo um monte de clichês, mas se de alguma forma você gostou, se te tocou então eu é que estou satisfeita. E maravilhada. E sorrindo feito boba aqui. Essa foi a ask mais linda que já recebi em não um ano de tumblr. Obrigada pelo carinho. 

5 notes → "Me vi sem graça. Me vi sem graça quando a festa acabou e a música parou. E os pés já não se moviam alegremente pelo salão. Me vi sem graça quando a dança acabou e não havia mais ninguém para me tirar pra dançar. Me vi sem graça quando voltei pra casa, sozinha, odiando minha condição. Me vi sem graça quando tirei a maquiagem e a roupa bonita. Me vi sem graça quando vi a casa vazia, me vi sem graça quando me vi sem ninguém. Sem um braço pra enlaçar a cintura ou lábios para me beijar na testa num gesto carinhoso.
Deitei e a cama me pareceu sem graça, meio grande demais pra um só. Engraçado como essas camas de solteiro podem variar o tamanho dependendo da solidão. Me vi sem graça, simplesmente. Será que se fica assim quando não se tem alguém ou não se tem alguém porque se é assim?
No outro dia, acordei sem vontade de ver ninguém. Queria simplesmente desaparecer em meio aos lençóis e que sentimentalismo barato! E quanta verdade! Será que eu sou isso mesmo, um amontoado de clichês?
Andei pela casa o dia inteiro procurando algo pra fazer, mas nada me despertava o interesse. Existia algo em mim falhando, eu podia sentir. Era algo morrendo ou falhando, dando pane. Tentei me acalmar com um cigarro ou dois, mas… Não surtiu efeito. Me vi sem graça quando me tornei a típica mocinha com problemas sem causa e eu não sabia reverter a situação. Quando a noite caiu, eu ainda não tinha visto ninguém e achei melhor assim, neste processo eu me via me tornando um clichê vivo, e não queria que ninguém percebesse. Quando a noite caiu e eu fumava o décimo cigarro, eu apenas queria desaparecer como a fumaça: evaporar por aí." -Michele Alves, Na falta de um par, tirei a própria solidão pra dançar Valsa

(Source: revolucionar-se)

2 notes → "E sem querer, poesia." -Michele Alves

(Source: revolucionar-se)

4 notes → "Querida Isabelle,
Não chore, pelo amor de Deus! Teu amor lhe deixou, e, minha vida, acredite, preferia milhões de vezes tu com ele do que assim, toda feita de tristeza, toda doente por dentro. Meus ossos se quebram cada vez que uma lágrima tua rola por teu belo rosto. Falto morrer ao ver teu olhar vazio, sem luz.
Isabelle, o que faço? Se tu perdes a luz, quem me iluminaria? O que eu faria neste mundo na completa escuridão? Apenas os anjos sabem da minha vontade de ir aí e te abraçar até a dor dissipar, até teu sorriso brotar novamente iluminado e cheio de vida como o próprio Sol, como uma estrela que ilumina toda uma galáxia, todo um sistema de planetas. Se morre, menina, ela mata a vida a seu redor. Esta manhã, na praça, te vi chorar. Nunca vi nessa vida menina mais triste, parecia que sugavas toda a alegria do lugar, parecia que o azul do céu, menina, não era mais tão azul porque se perdes a vontade de viver… Qual é o sentido de nós, todo o resto, existirmos?
Sorria, meu anjo, para que eu posso voltar a viver normalmente. Sorria para que meu coração não bata tão apertado, para que essa sensação de perda saia de dentro de mim. Isabelle, não me importo de que seus olhos apenas dirijam-se a mim com nenhum interesse, como se eu fosse (e sou) uma pessoa comum, sem nenhuma importância. Não me importo de que seu sorriso abra quando outro nome, não o meu, vem a tua mente. Não me importo de que sou apenas um observador, um pequeno ser sem importância com este amor de Pierrot sempre ignorado. Mas menina, me importo e quase morro na idéia de tua tristeza… Pois a minha, eu sei lidar, penso em ti e ela é toda dissipada para longe, mas será que tu, meu anjo, sabe lidar com a dor de um coração não amado?
Minto, perdão. Coração não correspondido. Porque amada, tu és… Amada eternamente, e nunca odiada. Não praguejo por um dia este sentimento que agora, não tenho, mas que me tem. Não praguejo, embora vez ou outra a abstinência de ti seja a loucura em seu estado mais pueril.Tu, menina, és uma daquelas coisas raras que lutamos para preservar. Tu, Isabelle, és a coisa mais viva que já vi. A maioria, apenas existe, apenas ocupa espaço. Não tu. Conquistas as pessoas, as coisas… Conquistas e passa a ser o amor da vida delas, muitas apenas te viram uma vez e prometo a ti: não te esqueceram. Assim como eu te tenho e guardo na memória como guardo minhas coisas mais preciosas.
E sabes, lhe amo; estas palavras nunca serão vazias, elas estão cheias de verdades inquebráveis. Então, Isabelle, sorria antes que eu enlouqueça, antes que eu adoeça também. Eu sou tão teu que chego a ser tu também. E agora, veja minha sina, sofro por dois.
Com amor…" -Michele Alves in Querida Isabelle